Gestão de Crise ou Gestão da Estratégia?

Atualizado: há 5 dias

“In preparing for battle I have always found that plans are useless, but planning is indispensable”. Dwight D. Eisenhower


Imagine uma viagem de navio do Brasil a Portugal, o capitão do navio estabelece claramente o objetivo, comunica a toda a tripulação o destino final e traça uma rota para chegar ao destino da forma mais rápida e segura. Com o planejamento da viagem finalizado, o navio parte rumo a seu destino, acontece que no meio da viagem surge uma forte tempestade imprevisível e inesperada, neste momento o capitão assume ativamente e de forma intensa a direção do navio, sua preocupação neste momento deixa de ser o destino final e passa a ser sobreviver a tempestade, a partir daí todas as ações são tomadas tendo em visto esse claro objetivo de curto prazo, sobreviver a forte tempestade. Felizmente o capitão é experiente e preparado e consegue habilmente conduzir o navio tomando decisões rápidas e assertivas, garantindo a sobrevivência do navio e da tripulação enquanto dura a tempestade, aos poucos a tempestade vai perdendo sua grande força inicial e após um tempo é possível enxergar os primeiros raios de sol ao longe. Neste momento o capitão do navio, já mais seguro da sobrevivência do navio, começa e preparar as ações que serão necessárias para voltar o navio para seu objetivo original e atingir seu destino previsto no início da viagem. Passada a forte tempestade, o navio segue firme e constante para Portugal.


Essa breve história ilustra bem a dinâmica das organizações ao longo da história, de tempos em tempos surgem grandes crises que afetam profundamente as empresas, hoje estamos vivendo os grandes impactos sociais e econômicos da pandemia do COVID-19, no começo do ano o mundo foi duramente afetado, no Brasil os impactos maiores começaram no segundo trimestre e, passados vários meses, ainda sentimos esse impacto, contudo, acredita-se que o pior já passou, e agora, embora a tempestade ainda esteja ativa, já é possível enxergar os primeiros raios de sol.


Quando a crise surge de maneira impiedosa e inesperada, as empresas mudam sua visão para o curto prazo, para a gestão do fluxo de caixa com o objetivo de garantir a sobrevivência da empresa em meio aos fortes impactos e solavancos dessa tempestade, em outras palavras, as empresas passam a conduzir uma gestão de crise.


Conforme a tempestade vai perdendo força e o mercado vai se estabilizando, mesmo que em um patamar bem abaixo do pré-crise, as organizações que sobreviveram começam a também se estabilizar neste novo patamar. Quando a crise começa, as empresas entram em queda livre, com o passar do tempo e o arrefecimento da tempestade, as organizações atingem um “fundo do poço”, não estão mais em queda livre e descobrem mais ou menos até onde afundariam, a partir deste momento é possível estabilizar o negócio para retomar a visão de longo prazo e os objetivos previstos inicialmente, em outras palavras, neste momento as empresas podem voltar a conduzir uma gestão da estratégia.


É fundamental que os líderes e gestores das organizações, em especial no nível estratégico (presidente/CEO e diretoria), estejam atentos e compreendam claramente o momento em que suas organizações se encontram e façam os ajustes necessários para uma gestão assertiva e eficaz de suas empresas. Se a tempestade ainda está muito forte e intensa lá fora, o melhor é fazer uma gestão de crise para garantir que o negócio não afunde em meio a tempestade. Contudo, se a tempestade perdeu força, se já é possível enxergar os primeiros raios de sol e a empresa foi estabilizada sem o perigo eminente de afundar a qualquer momento, pode ser a hora de voltar os olhos para o negócio de uma forma mais ampla e retomar a condução da empresa através da gestão da estratégia.


Ronaldo Guedes | Sócio-Diretor na Lure Consultoria

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